Pessoas com diabetes têm pior qualidade do sono, conclui estudo realizado nos Estados Unidos

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A relação entre alimentação, metabolismo e sono é cada vez mais evidente na ciência, especialmente no contexto do diabetes. Um estudo recente publicado na revista Frontiers in Nutrition reforça que a dieta e o controle glicêmico estão diretamente associados aos padrões e à duração do sono, indicando que alterações metabólicas podem prejudicar significativamente o descanso noturno. A pesquisa, baseada em dados de mais de 66 mil participantes nos Estados Unidos, demonstra que indivíduos com diabetes apresentam maior prevalência de dificuldade para dormir e de diagnósticos de distúrbios do sono em comparação com aqueles com pré-diabetes ou níveis glicêmicos normais.

DETALHES

Os dados revelam que sono insuficiente (menos de sete horas) é mais comum entre pessoas com diabetes ou pré-diabetes, enquanto períodos excessivamente longos de sono (acima de nove horas) também são mais frequentes no grupo com diabetes. De acordo com a neurologista Letícia Soster, do Hospital Israelita Albert Einstein, a condição afeta o sono por múltiplos mecanismos, como oscilações glicêmicas bruscas e hipoglicemias noturnas, que causam sintomas como sudorese e despertares abruptos, comprometendo a consolidação do sono.

Além das variações agudas da glicose, o diabetes está associado a um estado inflamatório crônico e à ativação do eixo do estresse, com aumento do cortisol, que antagoniza a melatonina – hormônio fundamental para a regulação do ciclo sono-vigília. Esse desequilíbrio contribui para um sono fragmentado e de baixa qualidade. Por outro lado, a própria privação de sono é um fator de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, uma vez que prejudica a regulação hormonal, o controle do apetite e o metabolismo da glicose.

ALIMENTAÇÃO

A alimentação desempenha um papel central nessa dinâmica. Dietas pobres em proteínas e ricas em carboidratos de baixa qualidade estão associadas a piores desfechos de sono, enquanto o consumo de proteínas magras e carboidratos complexos parece favorecer padrões mais saudáveis. As proteínas fornecem aminoácidos essenciais para a síntese de neurotransmissores relacionados ao sono, como serotonina e melatonina, além de ajudarem a estabilizar os níveis glicêmicos, evitando picos que perturbam o repouso.

O estudo também observou que um controle glicêmico muito rigoroso pode, paradoxalmente, estar ligado a mais queixas de insônia, possivelmente devido à complexidade do manejo medicamentoso e ao risco de efeitos colaterais. Diante disso, os especialistas defendem uma abordagem integrada, na qual o sono seja tratado como um pilar da saúde, ao lado da nutrição e da atividade física. Medidas como horários regulares, duração adequada de sono e atenção à composição das refeições noturnas são fundamentais para o bem-estar, especialmente de pessoas com diabetes.

Fonte: Agência Einstein

Wellington Torres

Editor da AGSP. Jornalista de coração e alma, pós-graduado em Assessoria de Comunicação e Mídias Digitais (Anhembi Morumbi) e em Marketing/Analytics (Anhanguera). Heavy user de redes sociais e fã de tecnologia. "Agora eu tenho visto" 🇺🇸 #LetsgotoUSA2025

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