RASCUNHO DE CENSURA? | Governo de Rondônia solicita recolhimento de livros clássicos

Precisamos falar de censura. Em pleno 2020! Na última quinta (6), a Secretaria de Educação de Rondônia (Seduc/RO), em documento, solicitou o recolhimento de 43 livros de escolas estaduais. São livros clássicos como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, Poemas Escolhidos, de Ferreira Gular, Os Sertões de Euclides da Cunha e muitos outros.

Obras de autores mais contemporâneos, como Nelson Rodrigues e Rubem Fonseca, também estavam na lista. Além de alguns livros de autores mundialmente consagrados, como O Castelo de Franz Kafka. Nem Contos de Terror de Mistério e de Morte de Edgar Allan Poe se salvou.

Em síntese, o documento ainda traz o nome de Rubem Alves em uma observação: “Todos os livros de Rubem Alves devem ser recolhidos“.  Rubem Alves foi um grande autor e educador, morreu em 2014, e é um dos mais respeitados pedagogos brasileiros das últimas décadas, sempre tentando aprimorar o formato de se educar nas escolas buscando maneiras alegres e lúdicas de ensinar.

Primeiramente, por suposição, a caçada literária nas escolas de Rondônia começou após a denúncia de que havia um palavrão no contos “Amálgama” (Ediouro), do escritor Rubem Fonseca, de 94 anos, um dos maiores escritores brasileiros vivos.

MEMORANDO-CIRCULAR 

O memorando-circular 4/2020 está em nome de Suamy Vivecananda Lacerda de Abreu, secretário da educação. Foi assinado eletronicamente por Irany Morais, diretora geral de educação. Ele foi endereçado às coordenadorias regionais de educação de Rondônia. O argumento utilizado é que os livros seriam “inadequados às crianças e adolescentes”. Isso embora vários dos livros clássicos listados sejam recorrentemente exigidos no vestibular.

Em resposta ao G1, Suamy Vivecananda afirmou se tratar de um “rascunho” feito por “técnicos”. Ele disse não concordar com o teor do memorando e que os livros listados não serão recolhidos.

REPERCUSSÃO

Logo após o vazamento do memorando a Academia Brasileira de Letras (ABL), divulgou uma nota de repúdio, assim como a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de Rondônia (OAB/RO) e algumas bancadas políticas também manifestaram sua indignação.

O Memorando  também gerou revolta em algumas pessoas e várias mídias trataram o caso como uma tentativa de censura. Fica claro, como é difícil de acreditar que um rascunho assinado (mesmo que eletronicamente) por pessoas do governo ligadas a educação, seja apenas um mero rascunho.

Com toda certeza devemos ficar atentos! Tais atitudes não podem ser toleradas!

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