“Uma seleção sem alma” – Essa foi a definição mais verdadeira de um comentarista brasileiro
A derrota do Brasil foi dolorosa para milhões de pessoas. Sabemos que é justamente nos momentos mais adversos que surgem as maiores lições, e esperamos que, desta vez, elas sejam realmente assimiladas.
A eliminação para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 não representa apenas o fim precoce de uma campanha. Ela simboliza o fechamento melancólico de um ciclo marcado por instabilidade, perda de identidade, fracassos esportivos e uma sucessão de recordes negativos.
O Brasil chegou ao Mundial após realizar a pior campanha de sua história nas Eliminatórias e voltou a cair nas oitavas de final de uma Copa do Mundo depois de 36 anos. A Seleção não deixava um Mundial tão cedo desde 1990.
O cenário se torna ainda mais preocupante quando olhamos para a dimensão histórica. O Brasil agora atravessa o maior jejum entre títulos mundiais desde a conquista do primeiro troféu: serão, no mínimo, 28 anos entre 2002 e 2030. É uma seca que iguala o período entre 1930, ano da primeira Copa do Mundo, e 1958, quando a Seleção finalmente conquistou seu primeiro título e iniciou a trajetória que a transformaria na única pentacampeã mundial.
A melhor definição para a eliminação do Brasil veio do ex-goleiro Velloso, atual comentarista do programa ‘Os Donos da Bola’, ao definir a Seleção Brasileira como ‘sem alma’. É uma expressão dura, mas que traduz o sentimento de milhões de brasileiros diante de uma equipe que, há anos, parece distante de sua própria essência, afirma Daniel Lucas Oliveira, coordenador da Grita São Paulo.
É preciso reavaliar profundamente o futebol brasileiro, suas categorias de base, seus modelos de formação, sua gestão e, principalmente, seus planos para o futuro.
Vanderlei Luxemburgo, técnico conhecido nacionalmente e vitorioso, em vídeo publicado nas redes sociais, levantou uma reflexão fundamental: “O Brasil é Brasil e não pode simplesmente tentar se igualar ou parecer com os europeus”. A manifestação do treinador se soma a um clamor cada vez maior de ex-jogadores, técnicos, especialistas e torcedores: a Seleção Brasileira precisa resgatar sua identidade.
O futebol brasileiro sempre foi reconhecido pela criatividade, improvisação, coragem, técnica e capacidade de revelar jogadores diferentes. Copiar modelos sem compreender a própria história pode ter contribuído para uma Seleção cada vez mais distante de suas raízes.
UMA SUCESSÃO DE MARCAS NEGATIVAS 📉
Os números e fatos acumulados nos últimos anos ajudam a dimensionar a gravidade do momento:
- Duas derrotas para seleções africanas em três jogos: Marrocos e Senegal;
- Derrota para o Uruguai depois de 22 anos: 2 a 0, em Montevidéu;
- Primeira derrota para a Colômbia na história das Eliminatórias: 2 a 1, em Barranquilla;
- Primeira derrota do Brasil em casa na história das Eliminatórias: 1 a 0 para a Argentina, no Maracanã;
- Pior derrota brasileira na história das Eliminatórias: 4 a 1 para a Argentina;
- Pior campanha da história do Brasil nas Eliminatórias: quinto lugar;
- Pior ano da Seleção desde 1940: apenas 37% de aproveitamento em 2023;
- Eliminação nas quartas de final da Copa América;
- Ciclo com o pior aproveitamento da história: 54,9%;
- Primeira derrota para o Japão na história;
- Pior campanha brasileira em Copas do Mundo desde 1990;
- Maior jejum de títulos mundiais desde a primeira conquista, em 1958: 28 anos entre 2002 e 2030;
- Seis eliminações consecutivas em Copas do Mundo diante de seleções europeias;
- Maior número de treinadores em um ciclo, em marca comparável a períodos anteriores de forte instabilidade;
- Recorde de repetição de convocados de uma Copa para outra, mesmo após o discurso de renovação.
Não se trata, portanto, de uma derrota isolada. Não é apenas um jogo ruim, um gol sofrido ou uma eliminação dolorosa. O que existe é um conjunto de sinais acumulados ao longo dos anos.
O Brasil continua sendo o maior campeão da história das Copas do Mundo. Continua sendo uma potência na formação de jogadores. Continua tendo talento espalhado por todos os cantos do País. Mas tradição, sozinha, não vence jogos.
Talvez a eliminação de 2026 precise representar mais do que o fim de uma campanha. Talvez tenha chegado o momento de encerrar definitivamente um modelo que não funciona mais.
O futebol brasileiro precisa voltar a olhar para si mesmo.
Precisa recuperar sua identidade.
Precisa voltar a ter coragem.
E, acima de tudo, precisa voltar a ter alma.


