Bolsonaro, o ciumento | Artigo de João Anatalino

Shrek é um ogro mal humorado, mas como tem bom coração, acaba sendo até simpático. No fim a gente gosta e torce por ele.

Mas ele é muito ciumento. A maioria das encrencas que arruma é por causa dos ciúmes que tem da namorada e do seu território na floresta, que defende com unhas e dentes. E não são poucas as enroscadas em que se mete por causa da sua teimosia, ciúme e mau humor.

Talvez isso seja uma marca registrada desses mitológicos monstrinhos. Ogro é sinônimo de pessoa ignorante e insociável. Bate em tudo e em todos.

Como o presidente Bolsonaro. Ele não tem a aparência de um ogro, mas está fazendo força para se comportar como um. Começa pelo modelo que ele escolheu para copiar, pois Donald Trump, esse sim é um verdadeiro manjaléu, bombado e grosseirão.

Bolsonaro deu agora de sentir ciúmes do ministro da Saúde, o Mandetta. Aliás, tem um monte de gente se torcendo de ciúmes dele. Principalmente na trupe do presidente, incluindo os seus filhos. Por conta da sua atuação ponderada, séria, concisa e sobretudo profissional, no combate à pandemia do Coronavírus, o homem virou herói nacional. Está em todas as mídias.

O sucesso incomoda, principalmente quando se trata do sucesso dos outros. Nosso Messias não gosta disso. Assim, todo ministro que começa a ganhar muitas manchetes e se coloca sob os holofotes da mídia, provoca intensas crises de ciúmes nele. Porque ele os vê como possíveis adversários nas próximas eleições. Já aconteceu com o Guedes e com o Moro. Agora é o Mandetta.

É uma pena. Inveja e ciúme matam tanto quanto armas brancas e de fogo. Mais até que o Coronavírus. Boa parte dos crimes cometidos pelo homem é motivada por esses dois sentimentos inconfessáveis. Eles são como hemorroidas. A maioria das pessoas tem, mas são poucos que confessam.

Bolsonaro deixou isso bem claro quando disse que Mandetta precisa ter um pouco mais de humildade e reconhecer quem é o seu chefe. Não creio que o ministro não tenha consciência disso. Não vi, até agora, nenhuma manifestação dele que pudesse desrespeitar o seu superior hierárquico, como o presidente gosta de se referir a si próprio.

O ego é o centro de referência e origem de todos os nossos sentimentos. Bons e ruins. Ele nos tipifica como seres humanos. Não é bom deixá-lo vazio, como fazem os ascetas e iogues hindus em busca da iluminação; mas também não devemos permitir que ele se infle demais com a nossa própria vaidade e sensação de onipotência. Pois aí ele pode se perder no ar como um balão de gás, sem rumo nem direção.

Quando vejo o Bolsonaro falando mal de alguém, me lembro do Shrek. Só não consigo achá-lo simpático e engraçado, como ao mal humorado ogro do filme.

 

 


João Anatalino Rodrigues é escritor e advogado. É autora dos livros PNL Para a Vida Diária, A Maçonaria e a Cabala e O Tesouro Arcano.

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