Buscar ajuda é o primeiro passo | Como a terapia pode transformar vidas

Reconhecer que é preciso procurar ajuda psicológica nem sempre acontece de imediato. Para muitas pessoas, o sofrimento precisa começar a interferir na rotina antes que a terapia seja considerada uma possibilidade. Flávia Fernandes, Auxiliar de Exames, atendida pelo serviço escola do Centro Universitário São Camilo, encontrou nesse modelo uma alternativa para iniciar o acompanhamento. O acesso começou pela internet e, apesar da disponibilidade de horários, ela precisou reorganizar boa parte dos compromissos para conseguir participar das sessões.

Tive que refazer boa parte da minha agenda para conseguir passar nos atendimentos, mas foi incrível. Foi uma experiência transformadora, principalmente nos momentos de maior aflição”, relata.

Para o psicólogo João Ferreira (CRP 06/166802), que atua especialmente com profissionais submetidos a altos níveis de responsabilidade, três fatores ajudam a explicar por que tanta gente demora a procurar atendimento: a normalização do sofrimento, as distorções na forma de interpretar a própria realidade e o preconceito que ainda envolve a terapia. Cansaço constante, noites mal dormidas e irritabilidade, por exemplo, passam a ser encarados como algo inevitável.

Nós estamos acostumados a viver cansados, a ignorar nossa necessidade de sono. A irritabilidade no final do dia quase se tornou comum. Quando começamos a normalizar esses sintomas, o sinal de alerta fica desligado. A ideia de que procurar um psicólogo seria sinal de fraqueza ou fracasso também contribui para adiar o cuidado.”

Psicólogo João Ferreira (CRP 06/166802)

PROBLEMA

Essa distância entre reconhecer o sofrimento e chegar ao atendimento aparece nas estatísticas. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, do IBGE, 10,2% dos brasileiros com 18 anos ou mais relataram diagnóstico de depressão por profissional de saúde mental, aproximadamente 16,3 milhões de pessoas.

Em 2013, eram 7,6%. Entre os diagnosticados em 2019, apenas 18,9% faziam psicoterapia. Os números de 2019 permanecem como o último grande levantamento nacional concluído com esse indicador, enquanto uma nova edição da PNS está em campo em 2026. No cenário internacional, estimativa divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2025 aponta que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com alguma condição de saúde mental no mundo.

QUANDO OS SINAIS DEIXAM DE SER PONTUAIS

João destaca que sentir tristeza, preocupação ou cansaço em determinados momentos faz parte da experiência humana. O alerta surge quando esses sinais se tornam persistentes e começam a comprometer diferentes áreas da vida. Sono que não recupera, irritabilidade frequente, pensamentos acelerados, oscilações de humor, autocrítica excessiva, perda de energia e a sensação constante de que alguma coisa está errada merecem atenção.

Uma coisa é ser pontual. Todos nós temos esses sintomas em alguns momentos, porque a vida não é um mar de rosas. Agora, o excesso não é natural. A persistência reflete esse excesso de sintomas. Outro sinal importante aparece quando descanso, finais de semana ou força de vontade já não são suficientes para que a pessoa volte a se sentir bem.”

Psicólogo João Ferreira (CRP 06/166802)

O ESGOTAMENTO NÃO FICA RESTRITO À MENTE

Os impactos podem aparecer no trabalho, dentro de casa e nas relações afetivas. Entre os profissionais de alta responsabilidade atendidos por João, a queda de concentração, a perda de desempenho e erros que antes não aconteciam estão entre as consequências percebidas quando o estresse não é adequadamente administrado. Fora do ambiente profissional, podem surgir afastamento, falta de disposição para conviver com outras pessoas e irritabilidade justamente com quem está mais próximo.

“Nós aprendemos a performar, mas ninguém nos ensinou a restaurar esse sistema”, resume João. Segundo o psicólogo, o problema não está na existência de desafios e períodos de estresse, mas na dificuldade de recuperação quando o organismo permanece continuamente em estado de sobrecarga.

TERAPIA É TAMBÉM APRENDER A COMPREENDER O QUE ACONTECE

O tratamento psicológico, portanto, vai muito além de conversar sobre problemas. Um dos primeiros movimentos é ajudar o paciente a identificar de que maneira interpreta as situações e como esses pensamentos interferem nas emoções e nas próprias atitudes. “Quando o paciente começa a entender o mecanismo da própria cabeça, ele ganha autonomia. Ele deixa de ser apenas refém dos próprios pensamentos”, explica. O acompanhamento também pode envolver mudanças na rotina, no sono, no gerenciamento do tempo e na maneira de responder às situações que provocam maior tensão.

O psicólogo chama atenção ainda para a importância de reconhecer e nomear o que se sente. Muitas pessoas chegam ao atendimento dizendo que têm ansiedade, depressão ou estresse, quando, na verdade, ainda não conseguem identificar com precisão aquilo que estão vivenciando. Essa compreensão é construída ao longo do processo, sem exigir que o paciente chegue ao consultório sabendo explicar tudo. “As pessoas sofrem e, muitas vezes, nem sabem exatamente o que estão sentindo. Quando começamos a dar nome e compreender essas emoções, conseguimos trabalhar melhor com elas”, explica João. 

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EXISTEM ALTERNATIVAS PARA CHEGAR AO ATENDIMENTO

A experiência de Flávia também mostra que o acesso à psicoterapia não se limita aos consultórios particulares. Serviços-escola mantidos por universidades oferecem atendimento à comunidade de acordo com as regras e a disponibilidade de cada instituição, enquanto clínicas sociais podem disponibilizar consultas com valores reduzidos.

Na rede pública, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são uma das portas de entrada para o cuidado em saúde mental, e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) integram a rede destinada ao atendimento de pessoas em sofrimento psíquico, especialmente nos casos de maior intensidade. Encontrar o serviço adequado e conseguir encaixar o tratamento na rotina pode exigir adaptações, como aconteceu com Flávia, mas o acesso abriu espaço para uma mudança que ela considera importante em sua trajetória.

A EXPERIÊNCIA PODE CONTINUAR MESMO QUANDO O CICLO TERMINA

Flávia não conseguiu permanecer com a mesma psicóloga depois que a profissional concluiu sua formação, principalmente pela distância e pela necessidade de conciliar novamente as agendas das duas. Isso, porém, não diminuiu a importância daquele período.

“Infelizmente, não consegui continuar com a mesma psicóloga depois que ela se formou, por conta da distância e da reprogramação tanto da agenda dela quanto da minha. Mas foi uma experiência transformadora nos momentos de maior aflição”, conta.

A trajetória ajuda a reforçar um dos principais pontos levantados por João: procurar ajuda não precisa ser o último recurso. Quanto antes uma pessoa percebe que o sofrimento se tornou persistente e passou a limitar sua vida, maiores são as possibilidades de começar a compreender o que está acontecendo e construir novas formas de enfrentamento.

APOIO

Serviço Escola de Psicologia do Centro Universitário São Camilo – Clínica de Psicologia – Pompeia

O serviço oferece atendimento psicológico gratuito à comunidade, a partir dos 4 anos de idade, durante o semestre letivo. Para menores de 18 anos, o contato e a inscrição devem ser realizados pelo responsável legal. Os interessados precisam fazer a inscrição na lista de espera e aguardar o contato para o agendamento da triagem psicológica, conforme a ordem de inscrição e a disponibilidade de horários.

📧 E-mail: agendamento.psicologia@saocamilo-sp.br
📞 Telefone: (11) 3355.3929

CONTATO DO DR. JOÃO

A psicoterapia representa um ramo da psicologia, servindo como a ferramenta que os psicólogos empregam para promover a saúde mental e o bem-estar. Dê uma chance! Agradecemos a participação do Dr. João e, caso deseje falar com ele, Clique aqui e fale pelo WhatsApp – (11) 95144.6364.

OUÇA A SEGUIR AS ORIENTAÇÕES DO DR. JOÃO NA ÍNTEGRA

Wellington Torres

Jornalista (Mtb nº 78/915/SP), pós-graduado em Assessoria de Comunicação e Mídias Digitais (Anhembi Morumbi), Marketing/Analytics (Anhanguera) e atualmente cursando faculdade de Letras (Univesp). Heavy user de redes sociais, fã de tecnologia e assisto uma série de vez em quando.

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