GritaCast #214 | 20 anos da Lei Maria da Penha: avanços, desafios e o enfrentamento à violência

Vinte anos depois da criação da Lei Maria da Penha, a violência contra as mulheres ainda expõe uma realidade que os números oficiais não conseguem dimensionar por completo. Este foi o ponto de partida do GritaCast #214, que recebeu, na terça, dia 6 de outubro, a Tenente-Coronel Sandra Santos em uma conversa sobre os avanços proporcionados pela legislação, os desafios no enfrentamento à violência e a necessidade de transformar políticas públicas, estruturas e investimentos.

Durante a entrevista, a convidada apresentou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Observatório de Londrina e de outras fontes, com números que ajudam a dimensionar a gravidade do cenário. Além dos casos de feminicídio, os registros de tentativa de feminicídio chamam atenção e chegam a ser quase cinco vezes superiores aos números oficiais de feminicídios consumados.

A entrevista também abordou a necessidade de ampliar as campanhas de prevenção e fortalecer as políticas públicas capazes de interromper o ciclo de violência ou, como destacou Sandra Santos, uma verdadeira espiral de violência, que pode se agravar quando os sinais de alerta não são identificados.

Nesse contexto, a Tenente-Coronel apresentou a chamada “régua da violência”, com diferentes pontos de alerta que ajudam a identificar comportamentos e situações que podem anteceder episódios mais graves de violência contra a mulher.

Ao final da conversa, Sandra Santos recorreu às palavras da escritora Conceição Evaristo para fazer uma reflexão sobre a permanência da dor e sua relação com a violência contra as mulheres.

Eu queria falar menos da dor, mas ela está sempre aí.”

A frase resume parte do desafio apresentado ao longo da entrevista: reconhecer a violência antes que ela alcance seu estágio mais extremo e construir respostas capazes de romper esse percurso.

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