Pensadores das periferias debatem cultura, arte e filosofia no podcast “Quebrada Cult”

“Quebrada Cult” é um podcast produzido por Professores, estudantes e pesquisadores das periferias reunidos para falar de História, Arte, Cultura, Política e qualquer outro tema, com uma linguagem descomplicada e popular. Eles usam referências da literatura tradicional ao funk.

Gravado todas as sextas à noite em lives no YouTube, o material é editado e fica disponível no Spotify. Além disso, o “Quebrada Cult” tem presença nas redes sociais, como Twitter e Instagram (nessa, já são mais de 7.000 seguidores), onde dialogam com os ouvintes e, além de divulgar o projeto, fazem indicações de músicas, livros e produções visuais.

Apesar do podcast ser relativamente novo, os participantes já atuavam nas redes sociais, compartilhando vivências e buscando trazer uma visibilidade positiva para os moradores das periferias.

O grupo é formado pela Professora e jornalista Fernanda Souza, 26; Thiago Torres, 21, o “Chavoso da USP”; o estudante Vinicius Santana, 20, de Osasco, na Grande São Paulo; Layane Gabriele, 22, e Marcelo Henrique Silva Marques, 19, que vivem na periferia nas cidades de Campinas e Paulínia, respectivamente, no interior paulista; e Matheus Passos, 19, de Lauro de Freitas (BA), enquanto de Manaus (AM) fala Dayrel Teixeira, 22, criador da página Funkeiros Cults.

O grupo se conheceu em momentos diferentes. Alguns já tinham relações pessoais e outros começaram a conversar pela internet. Ao longo de 2020 seguiram mantendo contato e começaram a fazer lives, vídeos e outros trabalhos juntos. Decidiram começar o podcast, observando a alta demanda desse tipo de conteúdo, além da vivência de todos eles, marcada pelas dificuldades de sair das periferias para as universidades.

NOVOS HORIZONTES

O acesso ao Ensino Superior é algo presente na trajetória dos integrantes  do podcast. De acordo com o grupo, esse é um lugar importante para produzir conhecimento, inclusive sobre as próprias periferias. Porém, salientam que não é apenas na Universidade onde isso é possível.

O conhecimento acadêmico é um conhecimento, mas não o único. Nossas vivências, experiências e trocas de ideia são fontes de conhecimento também. Não precisa ser acadêmico para ser inteligente. Conhecimento se constrói em todo lugar”, defendem.

Durante os episódios do podcast, os sete apresentadores se revezam. Além deles, há mais três pessoas envolvidas na produção, edição e distribuição do “Quebrada Cult”. Cada episódio tem um tema específico e há também alguns com entrevistas com convidados.

A ideia é que a gente possa sempre trazer um tema diferente, abordando desde questões sérias como racismo e violência policial até filmes de comédia favoritos de cada um.”

O projeto começou com investimento próprio dos participantes, mas atualmente possui uma conta digital para que interessados possam ajudar a manter o projeto em pé, com doações. Com a visibilidade que veio a partir da internet, o “bonde” da “Quebrada Cult” quer quebrar os estereótipos ainda presentes sobre os moradores das periferias.

“Mostramos às pessoas iguais a nós que podemos ser professores e doutores, mesmo andando de camisa de time, de corrente, de shortinho e rebolando no baile. Uma frase legal para resumir isso é: ‘A Juliet não nos impede de ver novos horizontes’.”

Com informações da Agência Mural de Jornalismo das Periferias

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