Sindicato dos Escritores de SP emite nota: “Em Defesa da Vida, Basta de Bolsonaro!”

Em repúdio ao posicionamento do presidente Jair Messias Bolsonaro, em meio à pandemia do novo Coronavírus (Covid-19), o Sindicato dos Escritores de São Paulo emitiu ontem (31) nota com o título “Em Defesa da Vida, Basta de Bolsonaro!”. O texto denuncia a irresponsabilidade das recentes declarações do líder do País. Confira a nota na íntegra:

EM DEFESA DA VIDA, BASTA DE BOLSONARO!

A pandemia do Coronavírus precipitou o Brasil e o mundo numa crise sem precedentes. Milhares de vidas humanas estão ameaçadas em todo o Planeta. Para agravar a situação, a economia mundial, que já estava vulnerável e anunciava nova recessão, está sofrendo profundo impacto da pandemia e tende a ceifar milhões de empregos. A situação do Brasil, que já estava carregada de uma crise econômica, social e política que se arrastava desde 2014 e tem sido vítima de constantes ameaças de violação da democracia, passou a amargar, além de profunda crise sanitária, redução drástica da produção e do emprego e nova ameaça golpista por parte do chefe do grupo palaciano.

Prioridade é salvar vidas

A experiência da China no combate à pandemia e as orientações da Organização Mundial da Saúde podem ser sintetizadas em três palavras: “fique em casa”. No mundo inteiro, os governos estão, no fundamental, seguindo esse caminho. O Ministério da Saúde do Brasil acatou essa orientação. E os governadores e prefeitos vêm implementando essa política. É o caminho para salvar vidas.

Mas é preciso o governo garantir a manutenção de amplas parcelas da população durante o isolamento social. Em lugar de garantir o emprego dos trabalhadores, uma das primeiras iniciativas do governo foi enviar para o Congresso medida provisória suspendendo os contratos de trabalho – e por conseguinte o salário – por quatro meses. Depois de protestos de todos os lados, o governo recuou, mas o problema continuou sem solução. No caso da população mais vulnerável – desempregados, subempregados, trabalhadores informais e autônomos -, o governo encaminhou ao Congresso projeto de lei que permitia repassar míseros R$ 200 por mês, durante três meses, abarcando cerca de 20 milhões de pessoas. O Congresso, numa articulação ampla de todas as correntes partidárias, elevou o valor para R$ 600 mensais, estabelecendo o benefício para até duas pessoas por família e o valor de R$ 1.200 para mães chefes de família, podendo beneficiar, segundo o DIEESE, a 120 milhões de pessoas, se computadas as crianças.

Há dinheiro suficiente para garantir emprego e salário para os trabalhadores, renda básica emergencial para os mais vulneráveis e apoio para as micro, pequena e média empresas nacionais. Basta o Banco Central seguir o exemplo mundial e praticar juro nominal zero para o conjunto da dívida pública que se economizaria cerca de R$ 200 bilhões por ano. Basta taxar adequadamente grandes fortunas e distribuição de lucros e dividendos que se obterá receita de mais R$ 200 bilhões. Além disso, existe no caixa único do Tesouro um pouco mais de R$ 1,3 trilhão. Basta suspender os obstáculos à sua utilização, como a lei do teto, que esse dinheiro estará disponível. No limite, emitir dinheiro. Em lugar de enfrentar esses problemas, o ministro da Economia promete encher as burras dos bancos de dinheiro (chegou a falar de R$ 1,2 trilhão) e mente descaradamente sobre o montante de recursos a serem destinados aos trabalhadores e às empresas nacionais.

Bolsonaro sabota programa para salvar vidas

Não bastasse a insuficiência das medidas econômico-sociais, o presidente Bolsonaro decidiu sabotar o programa de saúde montado para reduzir o dano do Coronavírus pelo próprio Ministério da Saúde e implementado pelos governadores e prefeitos. Além de promover e participar de aglomerações na frente do palácio e em cidades satélites de Brasília, fez pronunciamento em rede nacional estimulando as pessoas a sair de casa. Sob a alegação de defender a economia, revelou uma total insensibilidade em relação à vida das pessoas. E também não defende a economia. Se quisesse fazê-lo, liberaria o dinheiro.

Sem se intimidar, os governadores e prefeitos decidiram manter o programa de isolamento social. O Congresso Nacional engrossou o coro dos que apoiam esse caminho, inclusive com praticamente todas as lideranças dos partidos no Senado firmando documento nesse sentido. Até os principais ministros do governo resolveram apoiar o isolamento social. Estabeleceu-se no país uma espécie de dualidade de poderes.  E avançou a passos largos a formação de uma ampla frente contra o grupo palaciano que gira em torno do Presidente. Respaldando isso, a ampla maioria da população (64%, segundo pesquisa publicada no jornal O Valor) diz que não confia na capacidade de Bolsonaro gerenciar a crise do Coronavírus e apoia as medidas adotadas para evitar o contágio, dentre elas o isolamento social (84%). E tem demonstrado isso com a arma que cabe em momentos de quarentena: os quase diários e crescentemente ensurdecedores panelaços.

Bolsonaro é um estorvo

O Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo soma-se à luta do nosso povo para manter as medidas de combate à pandemia e para que o governo federal libere o mais rápido possível os recursos aprovados pelo Congresso para bancar a renda emergencial para a parcela mais vulnerável da população: paga logo, Bolsonaro! E que se estabeleça rapidamente o programa de garantia de emprego e salário e o apoio às micro, pequena e média empresa. Essa é a forma de preservar a vida do nosso povo e criar condições para a economia nacional voltar a funcionar tão logo a pandemia seja debelada.

Já está mais do que claro que Bolsonaro, com as atitudes que vem adotando, em verdadeira sabotagem ao programa de contenção do Coronavírus e à liberação de recursos para viabilizar as condições de vida do povo e o funcionamento da economia, não tem compromisso com a vida do nosso povo e muito menos com a economia nacional. Em profundo isolamento, encenou um recuo em pronunciamento feito hoje em cadeia nacional propondo um pacto nacional, mas o panelaço falou mais alto. Bolsonaro converteu-se num estorvo. Por isso, em defesa da vida e da economia nacional, soa aos quatros cantos do país o brado popular: fora Bolsonaro!

São Paulo, 31 de março de 2020

Diretoria do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo

Lucas R. de Souza Pereira

Jornalista da Agência de Comunicação Grita São Paulo - AGSP, ex-foca da redação, aficionado pelo mundo do futebol, games, séries e rock'n'roll

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