Coronavírus | Estudo revela fatores de risco para morte decorrente da doença em hospital na China

O estudo publicado na revista científica Lancet, revela importantes aspectos para a população. principalmente da área da saúde, estar atenta, no que se refere ao novo Coronavírus. Ela explica, por exemplo, que um paciente com idade avançada que chega ao hospital com o covid-19, doenças crônicas como hipertensão e diabetes, além de sinais de sepse, deve acender um alerta. Isso porque estes são traços de um perfil mais vulnerável à morte pela doença.

Os autores do artigo dizem que se trata do primeiro estudo a mapear a evolução do quadro de pacientes infectados pelo vírus Sars-Cov-2. Tanto que faleceram ou receberam alta do hospital. Para tal feito, foram considerados quadros de 191 pacientes do Hospital Jinyintan e Hospital do Pulmão de Wuhan internados entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020. Destes, 137 receberam alta e 54 morreram nos hospitais, considerados referência para o tratamento do novo coronavírus.

Os autores do estudo alertam que seus resultados dizem respeito à amostra de Wuhan, portanto não podem ser automaticamente generalizados para outras partes do mundo.

Como funcionou o estudo

Os pesquisadores, filiados a instituições chinesas, buscaram juntar os pontos do início, percurso e desfecho da doença nessas pessoas. Para isso, usaram informações de prontuários, exames e dados demográficos. Em seguida, construíram modelos matemáticos para identificar os fatores de risco que levaram à morte.

Uma das conclusões é a de que, como vêm mostrando outras pesquisas, a idade avançada é um fator de risco para a covid-19. Comparados com aqueles que sobreviveram, pacientes que morreram eram, em geral, mais velhos – em média 69 anos em comparação com a média de 52 entre os que sobreviveram.

Dos 191 pacientes analisados, cerca de metade (48%) tinha doenças crônicas – a mais comum, hipertensão (30% da amostra) e diabetes (19%). Após cálculos matemáticos, os autores consideram que estas comorbidades são também fator de risco para casos mais graves da covid-19.

Em todos os pacientes, a complicação mais comum decorrente da covid-19 foi a sepse (detectada em 100% dos pacientes mortos e 42% dos sobreviventes), seguida de insuficiência respiratória (98% versus 36%). A frequência de complicações como essas foi maior em pessoas que morreram do que as que tiveram alta.

Conforme lembram os autores em seu artigo, à semelhança de outras infecções respiratórias virais, o conjunto de manifestações possíveis da covid-19 é bem amplo, incluindo desde infecções assintomáticas e moderadas a pneumonias graves com insuficiência respiratória e até morte.

Hoje, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a estimativa de que 3,4% dos pacientes morrem por causa da covid-19.

Sinais do corpo de que há uma infecção grave em curso

Há também dois indicadores detectados na entrada dos pacientes nos hospitais chineses que podem ajudar os médicos a rastrear mais cedo casos potencialmente graves. Neste caso, não se trata de um problema de saúde que já existia antes da infecção com o coronavírus, como por exemplo uma diabetes, mas justamente dos efeitos da covid-19. Um destes indicadores é uma pontuação alta no índice de avaliação sequencial de falha de órgão (“SOFA score”, em inglês).

Outro indicador é um valor de dímero-D alto no sangue (maior que 1 μg/L), fragmentos de proteína relacionados ao processo de coagulação.

“Casos de sepse e choque séptico normalmente vêm associados à chamada coagulação intravascular disseminada e que, por si só, eleva o dímero-D”, diz o médico.

Período de ação do vírus

Outro dado importante revelado pela publicação no Lancet foi a duração mediana do viral shedding — excreção, cascata ou disseminação viral em português.

“Isso significa que o vírus está se replicando, infectando novas células e circulando no corpo do paciente”, explica à reportagem Rafaela da Rosa Ribeiro, doutora em biologia celular, pós-doutoranda pelo Hospital Albert Einstein e atualmente bolsista BEPE-FAPESP no Ospedalle San Rafaelle, em Milão, Itália (o segundo país mais afetado pelo novo coronavírus no mundo).

“Pessoas assintomáticas podem ter o vírus, mas o sistema imunológico conseguiu conter a infecção e o vírus não está tendo a capacidade de se replicar e causar danos nas células. Portanto, elas não têm uma carga viral alta o suficiente para infectar outras pessoas”, explica Ribeiro.

Limitações do estudo

Como é de praxe em publicações científicas, no Lancet os autores do artigo reconhecem as limitações do estudo. Uma delas é temporal, já que foram considerados casos até 31 de janeiro. Assim, os resultados refletem um estágio da doença, até em termos de mortalidade, que já é diferente hoje.

Além disso, não há um controle sobre o que aconteceu com os pacientes estudados antes que eles chegassem ao hospital — por exemplo, se tiveram dificuldade em conseguir remédios ou se foram atendidos quando já estavam bastante doentes.

Rafael Jácomo aponta também que a amostra de 191 pacientes é relativamente pequena, assim como o recorte temporal. O médico destaca ainda que fatores culturais e hábitos alimentares, além da própria estrutura de saúde de um país, podem mudar a relação entre comorbidades e infecção viral.

Fonte: BBC News Brasil 

Wellington Torres

Editor da AGSP. Jornalista de coração e alma, pós-graduado em Assessoria de Comunicação e Mídias Digitais. Heavy user de redes sociais e fã de tecnologia. Já assisti muitas séries, porém agora até minha mãe sabe mais de Greys Anatomy do que eu. Viajante aleatório, sonhando com #NewYork2021

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